LULLABY BLOSSOMS
Amelie Lolie and Inês Farah at Cosmos, Lisbon.
[EN]
abro os olhos. pontos de luz cintilam em arco-íris pela parede do quarto; o raio de sol atravessa o cristal suspenso na janela. tento me lembrar se chorei no sonho. tenho a sensação de que sim, a vista ainda turva.
you learn to love the pain you feel [1]
das coisas que se tornam amuletos e constelam os espaços onde construímos um pequeno universo, não sei bem como este veio parar em minhas mãos, talvez um presente.
me lembro de encontrar o cd do garbage entre a coleção de discos da minha irmã, as plumas rosas na capa e sobre elas uma impressão em preto: lixo. a atração imediata se intensifica com a sensação que só a música provoca. existe amor à primeira vista?
talvez seja um fascínio pela ambivalência, pelo que é doce e amargo, como o risco de uma lâmina afiada sobre a superfície acetinada, ou a nostalgia de um acontecimento tão raro quanto íntimo.
nem sempre os amuletos são objetos, às vezes envolvem outros sentidos, como sons, perfumes, memórias. tempos distintos se misturam, criam outra dimensão. entre descobertas, desejos e delírios habitam os anjos e os fantasmas.
no palco onde as histórias se cruzam, cenários são imaginados. fecho as cortinas. me deito com cavalos galopando no teto, refletidos pelo fogo da vela que você deixou aqui. conto um por um, hipnotizada até pegar no sono.
[1] queer (1995) - garbage
Fotos © Eliza Azevedo







